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	<title>CkS artport &#187; em Português (PT)</title>
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		<title>o Grande Estuário</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 17:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CkS-Boss</dc:creator>
				<category><![CDATA[em Português (PT)]]></category>

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		<description><![CDATA[António Cerveira Pinto (a.k.a. António Maria) A HIPÓTESE: Lisboa 2030 Portugal tem hoje cerca de 10,5 milhões de habitantes. 80% desta população reside ao longo da faixa litoral. A correspondente taxa anual de crescimento é da ordem dos 0,5% (0,1% de crescimento natural e 0,4% de crescimento migratório). As previsões demográficas da ONU (revistas em [...]]]></description>
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<p>António Cerveira Pinto (a.k.a. António Maria)</p>
<p>A HIPÓTESE: Lisboa 2030</p>
<p>Portugal tem hoje cerca de 10,5 milhões de habitantes. 80% desta população reside ao longo da faixa litoral. A correspondente taxa anual de crescimento é da ordem dos 0,5% (0,1% de crescimento natural e 0,4% de crescimento migratório). As previsões demográficas da ONU (revistas em 2004) apontam para 10.723.000 pessoas em 2050 — quer dizer, um acréscimo que não chega aos 300 mil habitantes.</p>
<p>As cidades de Lisboa e Porto perderam, entre 1991 e 2001, mais de 130 mil habitantes para as respectivas periferias. O concelho de Lisboa, por si só, perdeu mais de 240 mil residentes entre 1981 e 2001. Mas a concentração populacional e urbana na Região de Lisboa e Vale do Tejo (3.467.483 de pessoas em 2001), e mais especificamente da Grande Área Metropolitana de Lisboa (2.661.850 de pessoas em 2001), continua a dar-se de forma contínua, com especial incidência nos concelhos de Sintra, Amadora, Loures, Almada, Seixal e Setúbal. Quem percorre as periferias das duas maiores cidades portuguesas apercebe-se dos impressionantes ritmos de sub-urbanização que desde há três décadas têm descaracterizado estas zonas.</p>
<p>No caso da Grande Área Metropolitana de Lisboa, a par da má qualidade urbanística e arquitectónica do património edificado, aumentou dramaticamente o volume e intensidade dos movimentos pendulares periferia-centro-periferia e abrandou a velocidade de circulação automóvel entre localidades, diminuindo assim o tempo pós-laboral disponível e aumentando as despesas com os transportes, nomeadamente as implicadas na aquisição e uso do automóvel.</p>
<p>A dispersão suburbana actual (com as respectivas cidades e aldeias dormitório) é uma paisagem cuja origem pode ser localizada numa conjuntura e num tempo muito precisos: nos Estados Unidos depois da 2ª Guerra Mundial. Gasolina barata, crédito democrático para comprar casas e automóveis, dezenas de milhar de quilómetros de estradas e auto-estradas, cinemas “drive-in”, “super-markets”, “shopping malls” e “theme parks”; em suma, tudo isto e o sonho americano de uma casinha independente, com relvado e churrasqueira à porta. O mesmo sonho, recauchutado, mas ainda assim encantador — apartamento e lareira, automóvel e ’shopping’ —, chegou até nós no princípio da década de 1980 e durou praticamente até ao dealbar do século 21. Entretanto, depois dos atentados de 11 de Setembro e da última guerra contra o Iraque, as coisas começaram a mudar. Em 1998 o petróleo custava 12 USD o barril, em 2003 custava 25 dólares, em Outubro de 2006 andava pouco abaixo dos 60 USD, e a 1 de Agosto de 2007 chegou aos 78,77 USD, ultrapassando o máximo absoluto de 78,40 dólares por barril registado em 13 de Julho de 2006. Apesar de o mercado ter previsto um aumento médio dos preços do crude na ordem dos 31% ao ano, a verdade é que o barril de petróleo triplicou de preço entre 2002 e 2007, e custa hoje seis vezes mais do que no ano em que inaugurou a EXPO ‘98. A gasolina sem chumbo 95, por sua vez, custa hoje em Portugal o dobro do que custava em 1998.</p>
<p>O efeito conjugado da especulação imobiliária, do desemprego, da subida generalizada do custo de vida e de uma maior pressão fiscal, obrigará cada um de nós a fazer melhor as contas domésticas e a eleger com muito mais cuidado as prioridades de investimento. Se o barril de petróleo chegar aos 400 dólares em 2017 (não nos esqueçamos que o preço do barril multiplicou por 6 na década que vai de 1997 a 2007), e o litro de gasolina sem chumbo 95 não custar menos de 2,6 euros, os centros urbanos e todas as principais interfaces de transportes urbanos e suburbanos tornar-se-ão muito mais atractivos do que já hoje são. A especulação imobiliária aumentará ainda mais, assim como a actividade de construção nos referidos <em>atractores</em> urbanos. Se não houver entretanto nem visão estratégica nem planeamento adequados por parte dos poderes autárquicos e autoridades municipais, as complicações poderão ser mais do que muitas.</p>
<p>A nossa visão do Grande Estuário assenta basicamente em três previsões: que vamos gastar mais combustíveis fósseis no futuro imediato antes de os consumos globais começaram inexoravelmente a decair; que vai haver uma transição apressada e dolorosa das actuais energias carbónicas para sistemas energéticos renováveis (e nucleares de terceira e quarta geração?); e que durante tal transição boa parte dos subúrbios poderão implodir, originando o repovoamento e aumento de densidade demográfica das velhas cidades.</p>
<p>Entretanto, que poderemos fazer?</p>
<p>O Grande Estuário propõe uma plataforma de trabalho assente em quatro pilares:</p>
<p>o Obs(ervatório)<br />
os simulador de futuros (SdF)<br />
os Núcleo de Exploração Urbana e Suburbana – neXus<br />
o Banco de Horas</p>
<p>PRIMEIRAS CONCLUSÕES</p>
<p>É necessário reformular os actuais sistemas de mobilidade urbana e suburbana:</p>
<p>— localização de um novo aeroporto na Base Aérea Militar do Montijo articulado com os actuais aeroportos da Portela e de Tires;</p>
<p>— construção de duas novas pontes (Chelas-Barreiro* e Belém-Trafaria**);</p>
<p>— introdução de novos sistemas de transportes (Maglev, “Tram-Train”, táxis fluviais, etc.); expansão das redes de Metro de superfície e dos corredores BUS (estendendo-os para fora do perímetro urbano da cidade); criação de novas interfaces multimodais aproveitando os nós das grande vias de penetração e circunvalação da cidade de Lisboa.</p>
<p>A solução da Grande Área Metropolitana de Lisboa passa obrigatoriamente pela resolução de um problema chamado Lisboa, ou melhor dito, centro de Lisboa.</p>
<p>Envelhecido, atrofiado e incapaz de oferecer alternativas credíveis às novas tensões urbanísticas, este centro precisa de crescer (como tal, i.e. como centro) e transformar-se no verdadeiro modelo de requalificação da grande urbe.</p>
<p>Crescer para Sul é a nossa proposta: a zona ribeirinha entre a Almada e Alcochete, hoje em processo de sub-urbanização acelerada, deverá ser o alvo principal de uma operação metropolitana estratégica e de grande envergadura.</p>
<p>O lançamento de uma candidatura aos Jogos Olímpicos de 2020 seria uma boa forma de criar as condições anímicas, organizativas e políticas para a grande revolução urbana que temos em mente.</p>
<p>A Grande Área Metropolitana de Lisboa deveria apostar numa estratégia de desenvolvimento clara e assente em quatro grandes eixos:</p>
<blockquote><p>Eixo A: Criação de Parques de Energias Renováveis, tendo em vista diminuir drasticamente a nossa dependência energética, nomeadamente dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão)***;</p></blockquote>
<blockquote><p>Eixo B: Generalização da Agricultura Biológica na Região de Lisboa e Vale do Tejo (com a consequente interdição das tecnologias químicas sintéticas e transgénicas);</p></blockquote>
<blockquote><p>Eixo C: Recondicionamento das actividades industriais com duas prioridades à cabeça:</p></blockquote>
<blockquote>
<blockquote><p>— actividades relacionadas ou correlacionadas com o mar e o rio</p></blockquote>
<blockquote><p>— actividades relacionadas ou correlacionadas com as novas indústrias energéticas.</p></blockquote>
</blockquote>
<blockquote><p>Eixo D: Desenvolvimento de um ambicioso sistema de infraestruturas polarizadoras de turismo de fim-de-semana, de estação e residencial.</p></blockquote>
<p>Durante os próximos tempos procuraremos insistir na sensibilização cívica para os problemas suscitados pel’o Grande Estuário, dando especial relevância à discussão de uma possível candidatura ao Jogos Olímpicos de 2020, como forma de discutir o futuro desta velha e bela região.</p>
<p>* — Objecções ao custo desta solução (nomeadamente devido à profundidade do rio no eixo previsível de implantação dos pilares) aconselham uma alternativa diferente: fazer uma nova ponte paralela à ponte Vasco da Gama, exclusivamente destinada à ferrovia (Alta Velocidade, Velocidade Elevada e extensão do Metro). Ver as investigações de Rui Rodrigues a este respeito e em particular “Como é que o governo vai descalçar esta Ota?” (PDF 1,3Mb)</p>
<p>** — A ponte Belém-Trafaria, que permitira fechar a Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), é uma mera hipótese de trabalho que a estagnação demográfica, a crise económica persistente, a crise energética e a crise climática poderão tornar rapidamente obsoleta. [04/11(2006]</p>
<p>*** — Portugal e Espanha, i.e. a península ibérica, têm condições para uma substituição integral das energias fósseis (que induzem uma dependência energética na ordem dos 86%) até 2050. Basta para isso lançar uma OPA VERDE aos cartéis que actualmente controlam a situação energética em ambos os países. [14/11/2006]</p>
<p>VERSÃO ORIGINAL: 1 Maio 2005; ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO DO PROJECTO OGE: 17 AGOSTO 2007.</p>
</div>
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		<title>Da casa expandida ao novo Deus</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 17:11:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CkS-Boss</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Teoria]]></category>

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		<description><![CDATA[António Cerveira Pinto (a.k.a. António Maria) Continuamos a esperar da nossa casa (ou da casa dos nossos Pais) que seja um abrigo seguro, onde possamos cumulativamente descansar, comer, cuidar (pelo menos parcialmente) da nossa higiene e aparência, confraternizar com a família e os amigos, fazer amor, acumular objectos, organizar informação, guardar memórias e também, nalguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>António Cerveira Pinto (a.k.a. António Maria)</p>
<p>Continuamos a esperar da nossa casa (ou da casa dos nossos Pais) que seja um abrigo seguro, onde possamos cumulativamente descansar, comer, cuidar (pelo menos parcialmente) da nossa higiene e aparência, confraternizar com a família e os amigos, fazer amor, acumular objectos, organizar informação, guardar memórias e também, nalguns casos, trabalhar. Estas são as funções persistentes de um lar em qualquer parte do mundo, do mais miserável ao mais sofisticado, provavelmente desde que a grácil criatura a que os investigadores chamaram Eva Mitocondrial apareceu à face do planeta há uns 150 mil anos. Não vão mudar muito no escasso tempo que medeia entre a actual fase pantagruélica do mundo desenvolvido e carbónico e o próximo período longo de dificuldades profundas que espera a espécie humana numa qualquer esquina do colapso energético, económico e social que se avizinha rapidamente. Tornada clara esta hipótese de trabalho, o que se segue não passa de uma breve reflexão sobre um intervalo infinitesimal da história humana: 50 a 100 anos no máximo!</p>
<p>Tomando boa nota da publicidade intrusiva que minuto a minuto proclama a inevitabilidade de um destino agarrado ao telemóvel e em geral ao mundo fascinante da computação inteligente e ubíqua, dir-se-ia que, pelo menos nas próximas duas décadas, a arquitectura dos abrigos humanos, incluindo os abrigos de trabalho, os hospitais, as discotecas, as prisões e os cemitérios, tenderão a sofrer uma mutação genética no sentido de uma magnificação virtual. Quer dizer, podemos esperar que todas estas formas de abrigo (pelo menos nos países ditos evoluídos), na confluência bizarra entre o desenvolvimento exponencial das tecnologias e nanotecnologias cibernéticas (duras e moles), por um lado, e as crises resultantes do fim da energia barata e dessas duas matérias primas definidoras da era actual (o petróleo e o gás natural), possam tender para uma intensificação sem precedentes da sua nova dimensão informática (electrónica, digital, computacional, bio-genética). Nas cidades semi-paralisadas pelos custos insuportáveis da energia, pelos conflitos sociais, pela falência irreversível dos actuais sistemas políticos e pela insegurança extrema (boa parte das cidades da América Latina são o paradigma desta tendência geral) imperará o tele-trabalho, a tele-economia, a tele-agricultura, a tele-medicina, o tele-convívio, o tele-prazer, o tele-policiamento e os tele-funerais. Apesar da distopia, não deixa de ser um desafio interessante para os arquitectos, desde que saibamos expandir, em muitas direcções, a própria noção de arquitectura.</p>
<p>O tempo da especulação imobiliária, tal como a conhecemos, acabou. É o fim da época horrível dos modelos suburbanos das sociedades automóveis. E é também o princípio do declínio da época pindérica dos condomínios pseudo-burgueses de uma classe média à beira do suicídio. Depois disto, em menos de 20 anos, teremos o regresso aflito dos 2icidadãos (dicidadãos ou cidadãos digitais) aos centros urbanos, estejam estes onde estiverem. Assistiremos também, muito provavelmente (antes de 2050), a uma hiper-concentração pós-urbana em todos os lugares do planeta onde houver suficientes recursos acumulados. À volta destas hiper-cidades tecnológicas (os hiper-mundos que tentarão sobreviver ao colapso das democracias industriais), crescerão cinturas verdes e zonas transgénicas de proximidade, com muitos quilómetros quadrados de superfície, rigorosamente vigiados pelas redes de agentes virtuais inteligentes (rAVI), entretanto elevadas à categoria de novo Deus ex machina.</p>
<p>O objectivo imediato deste novo mundo é sobreviver ao colapso provocado pela exaustão de recursos e profundas feridas ecológicas causadas pelo crescimento estúpido da espécie humana. Por um lado, se houver juízo, impor-se-à a paragem dos crescimentos exponenciais de população onde os houver, combinando o apoio económico a essas sociedades com exigências políticas absolutas. Por outro, redefinir-se-à radicalmente o actual modelo de valores, transformando as sociedades de consumo e de desperdício materiais em sociedades essencialmente espirituais, baseadas num novo sistema de produção de imateriais e num novo regime de trocas simbólicas. O segredo destas novas sociedades resume-se, por assim dizer, à produção (emergência) de um novo tecido social inteligente, repartido entre a termodinâmica dos corpos moleculares e a velocidade electrónica criativa das redes de inteligência e subjectividade digital.</p>
<p>Se este futuro for possível, então teremos que pensar nas arquitecturas como sistemas de pensamento e cálculo de estruturas de mobilidade molecular limitada e tele-realidade. Por um lado, a nova cidade terá que ser redesenhada à medida dos nossos pés, como um sistema de praças comunicantes e lugares únicos; por outro, a nova cidade terá que ser reconstruída sob o regime imaterial de um sistema de interfaces de contacto virtual em rede. Na realidade, o nosso futuro como espécie evolutiva depende inesperadamente (depois de um devastador século secular) da transformação espiritual profunda do nosso ser social. Depois de ultrapassarmos os medos atávicos, e sobretudo as resistências das economias instaladas, podemos e devemos esperar uma boa ajuda a esta causa por parte do uso criativo das nanobiotecnologias .</p>
<p>Carcavelos, 06 de Outubro de 2005</p>
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